Habibi

por Craig Thompson – Quadrinhos na Cia.  

Capa de Habibi

Não tenho a menor pretensão de escrever um review esmiuçando Habibi de Craig Thompson. Como escrevi no post de apresentação desse blog, não sou profissional nem jornalista, sou apenas um leitor que utiliza este blog para apresentar quadrinhos que acredito que devam ser lidos pela maior quantidade de pessoas possíveis, principalmente aquelas que torcem o nariz para este tipo de leitura. Para reviews mais profissionais vejam os links no fim do post.

Habibi é épico – Craig Thompson demorou seis anos para concluir suas 672 páginas. É uma obra de arte visualmente poderosa que mistura lendas e contos de fantasia com o Corão e com elementos do mundo moderno. Mistura temas como amor, conflitos sexuais, religião, preconceito, desigualdades sociais e problemas ambientais.

 

Thompson utiliza toda essa mistura para contar a sofrida e desesperadora história de amor entre Dodola, uma mulher branca que é vendida por seu pai aos nove anos e que se prostitui para sobreviver em um mundo extremamente machista e desigual e Zam, filho de uma escrava negra que foi adotado por Dodola quando ambos ainda eram crianças. Eles vão morar em um barco “naufragado” no meio do deserto onde Dodola passa o tempo contando contos islâmicos, contos estes que são utilizados como metáforas durante todo o transcorrer do livro.

Habibi é denso, pesado e sua leitura não é simples ( mistura passado, presente e metáforas durante todo o livro)  mas é extremamente prazerosa – em diversos momentos você para pra ficar analisando os desenhos de arte detalhada de Thompson. Percebe-se em seu trabalho uma forte influência de Joe Sacco e principalmente de Will Eisner. Não há como não lembrar de Eisner na passagem onde aparece o pescador Nuh, por exemplo. Quase todas as páginas de Habibi tem pelo menos um elemento que salta aos olhos, seja por sua beleza ou por sua complexidade. Acredito que se separarmos as quase 700 páginas e as colocássemos lado a lado, formaria uma linda peça de tapeçaria árabe.

Caligrafia sempre em destaque

Um destaque a parte é caligrafia árabe. Thompson nos mostra o quanto é bonita cada letra, cada símbolo. Em Habibi a caligrafia é uma personagem tão importante quanto Dodola e Zam, as personagens principais. Nas palavras do próprio Thompson: “Eu gosto de não ser capaz de ler árabe. Eu não sou prejudicado pelo significado da palavra. A caligrafia é como música para meus olhos.” Sendo assim, Habibi é uma das mais belas sinfonias já compostas.

Para saber mais:

http://en.wikipedia.org/wiki/Habibi_(graphic_novel)
http://www.guardian.co.uk/books/2011/sep/16/habibi-craig-thompson-review
http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2012/07/28/politica-religiao-amor-em-quadrinhos-entrevista-com-craig-thompson-457500.asp
http://nerdrevollution.wordpress.com/2012/07/30/review-habibi-por-pedro-ribeiro/
http://www.wired.com/geekdad/2011/11/craig-thompsons-habibi-gorgeous-a-bit-overwhelming/